Organizando e homenageando as raízes. José Valladares & Izabelle Valladares

MAB homenageia seu primeiro diretor, José Valladares

FOTO JOSE VALLADARES
José Valladares tornou-se conhecido na Bahia pelas suas atividades relacionadas às artes no Estado. Esteve presente durante o processo de consolidação do antigo Museu de Arte do Estado da Bahia, que hoje conhecemos como Museu de Arte da Bahia (MAB), com sede atual no Corredor da Vitória. Durante o tempo em que foi inspetor de monumentos do museu, José Valladares fez um importante trabalho de estudo sobre a Coleção Abbott, reunião de quadro de pintores nacionais e internacionais coletada pelo médico inglês Jonathas Abbott, ao longo de sua vida. Nestes estudos, Valladares classificou as obras de acordo com suas características e quanto as dimensões.
Graduado em Direito pela Universidade de Pernambuco, José Valladares não se seduziu pelas leis. Descobriu que o seu caminho era as artes.  Como jornalista, fez acontecer a crítica de arte na cidade em publicações nos principais jornais da Bahia, como o Diário de Notícias. Escreveu, em média, 100 crônicas, além de estudos monográficos sobre museologia e obras de arte. Foi o responsável, também, pela criação do Salão Regional de Belas Artes, evento que movimentava as artes na Bahia. Nele, uma comissão julgadora avaliava os quadros escritos e os premiava. Para Sylvia Athayde, o Salão de Belas Artes foi o responsável pela consolidação da arte moderna na Bahia, e possibilitou, ainda na década de 40, uma popularização no estado.
José Valladares realizou estágios e visitas aos Estados Unidos com o fim de pesquisar o funcionamento dos museus do país. O que intrigava o intelectual  era a quantidade de espaços culturais e como os americanos freqüentavam estes espaços. Segundo as constatações de Valladares, os mais de 70 museus americanos que visitou possuíam, além de um acervo permanente, atividades culturais que atraíam o público. As experiências investigativas resultaram no livro “Museus para o Povo”, livro de extrema importância para a Museologia. Nele, José Valladares apresenta o museu e como os espaços podem contribuir como ambiente educacional.
Para homenagear o seu primeiro diretor, o Museu de Arte da Bahia realiza a exposição “Reencontrar José Valladares – O Mestre”. Nela, o público pode encontrar a Coleção Abbott, um rico acervo fotográfico sobre a vida pessoal e a trajetória de José Valladares, escritos e crônicas publicadas nos principais jornais da década de 40. Em outro ambiente, estão expostas as obras premiadas no Salão Regionais de Belas Artes. Para Sylvia Athayde, diretora do MAB, a exposição é uma homenagem justa a um grande intelectual baiano que foi reconhecido, mas que não teve o merecido destaque. “Um homem que pode se chamar verdadeiramente um homem da cultura. Era uma personalidade marcante na área das artes, na área da educação, da área do patrimônio. Ele tem muito a nos ensinar”, diz.
SERVIÇO:
Reencontrar José Valladares – O Mestre
Museu de Arte da Bahia – MAB
Corredor da Vitória
Até 18 de julho
Confira, aqui, o texto escrito por Sylvia Athayde, que assina a curadoria da exposição:
José Valadares, nasceu na Bahia em 03 de maio de 1917. Fez os seus estudos  primário e secundário em Salvador, no Colégio Antonio Vieira. Após brilhante curso na Faculdade de Direito de Recife diplomou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, mas não foi o Direito que o seduziu para a vida profissional. Foi a Arte.

“Destacou-se como professor, crítico de arte, escritor e diretor de museu.”
Em 1939, foi nomeado para a direção do Museu do Estado da Bahia e, a partir de então, voltou-se para os estudos museológicos com particular interesse pelo patrimônio baiano. Para aprimorar seus conhecimentos técnicos nesta área, foi para os Estados Unidos, em 1943, com uma bolsa da Fundação Rockfeller, tendo cursado Historia da Arte no Graduate Institute da Universidade de Nova York e estagiado no Brooklyn Museum, como aprendizado prático de museologia.
Ao regressar à Bahia, em 1944, foi nomeado professor de Estética na Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia. No ano seguinte publicou “Museus para o povo”, um valioso estudo, fruto das observações e experiências nos museus americanos. Trata-se de um trabalho pioneiro no campo da museologia brasileira, que pretende chamar atenção para as possibilidades de democratização da cultura que se encerram nos museus.
Das suas observações de estudioso e pesquisador nato, podemos constatar a sua preocupação em colocar o museu a serviço do público, como centro de aprendizagem e divulgação cultural.
Segundo Thales de Azevedo, “os seus estudos revelam um “scholar” de excelente têmpera. E isto não o fazia duro ou dogmático: veja-se “Museus para o povo”, que sendo um relatório de observações, orientava, ensinava, dando prazer a quem o lia… Ensinar era como que o seu estilo, mas ensinar pelo rigor do dado, pela segurança do informe, pela avaliação pessoal, pela responsabilidade que assumia no afirmar e no julgar”.
Tendo organizado o Museu do Estado – de que pode ser considerado o seu verdadeiro criador – projetando-o no âmbito nacional, e publicado o seu primeiro livro “Museus para o povo”, Jose Valladares passou a figurar com relevo, na história dos museus brasileiros.
Museus para o povo, conceito que serve de lema a toda a museologia moderna, quando se pretende um museu democrático, interativo, aberto a todos, como postulava Jose Valladares há sessenta e cinco anos atrás. Sua obra vale como um legado de enorme importância às gerações presentes e futuras, e a sua presença, é uma constante na história desta instituição, hoje denominada Museu de Arte da Bahia.
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