Izabelle Valladares entrevista o escrivão português Pero Vaz de Caminha

Entrevista a Pero Vaz de Caminha















Após 511 anos da chegada ao Brasil, venho entrevistar o primeiro escrivão que pisou em terras brasileiras Pero Vaz de Caminha.
Pero Vaz, é com grande honra que lhe agradeço a oportunidade de me dar esta entrevista exclusiva após 511 anos depois que escreveu a primeira carta a corte portuguesa.

Sr.Pero Vaz, é a segunda vez que vem ao Rio de Janeiro, gostaria de saber qual foi seu impacto ao revê-lo ¿

R: Caríssima Izabelle, tamanho foi meu susto ao chegar em praias cariocas e perceber que as pessoas continuavam nuas como a 511 anos atrás, minha pele clara, que não suportava o calor  da primeira visita, desta vez veio a sofrer muito mais, foi então que olhei mais acima e percebi o ronco de máquinas de metal, correndo para todos os lados, com  rodas de borracha e apitos que zuniam meu ouvido, bem mais autos que os clarins das caravelas, me fazendo por minutos acreditar que estava mais uma vez em terras erradas e não no paraíso descoberto em outros tempos.
Sr Pero Vaz de Caminha, o que fizestes ao perceber que o paraíso havia mudado¿

R: Caríssima senhora, prontamente, coloquei-me a escrever uma carta , informando aos patrícios que sonhavam em voltar a este lugar que se preparassem, pois antes os índios queriam nos comer vivos, agora, eles substituíram suas flechas por armas que cospem fogo tão vís quanto os canhões piratas que enfrentamos, só que antes as mortes eram por sobrevivência e desta vez são por migalhas de comida, por calçados , por olhares, que uns matam os outros, ou simplesmente pela vontade de matar, não ingerindo as vítimas.
E o que mais me deixou estupefato, foi perceber que o governo que no momento impera em nossa colônia, só cuida do interesse da minoria, e não da coletividade, tanto me fez lembrar nossa vizinha França, que precisou de uma revolução, afetando até mesmo nosso país , para que este tipo de governo unilateral viesse a declinar.
Sr Pero Vaz, quando esteve no Brasil, havia muita terra e poucas habitações, como vê esta mudança nos dias de hoje¿
Mas que terra gigantesca o seu país possui... Como pode em um lugar onde os olhos se perdem no horizonte haver pessoas sem moradia¿ Em um lugar onde tudo que se planta dá, pessoas dividem espaço em latas de lixo com camundongos, ratazanas, vermes e caninos, o resto que a nobreza lhe reservou, escrevi a côrte pedindo providências, sei que extraíram bastante da riqueza do lugar e de forma desordenada, mas pelo visto são os próprios brasileiros que estão no poder hoje que são a principal causa, das injustiças vistas nesta província, mesmo em Portugal que não há 1% da riqueza desta linda terra, há hospitais com pessoas amontoadas em corredores a espera de atendimento médico, ou o que é pior, jogadas em calçadas, como se estivessem mortas em vida.Realmente é de doer o coração.

Fale-me um pouco sobre o que achou ao rever Copacabana¿
Boquiaberta ficaria toda Europa se pudesse vislumbrar a beleza deste lugar,embora o paraíso descoberto por Cabral tenha mudado bastante, quando aportamos nestas areias claras, embalados pelo som das ondas, o sorriso nos veio aos olhos e invadiu-nos a alma, a Baía da Guanabara é de beleza singular, mas heis que quando colocamos nossos olhos a mirar um pouco acima do limite das calçadas, eis que surgiam casebres amontoados com nativos que por ironia do destino, se apossaram do lugar, e não são donos das terras onde nasceram, imagine um lugar onde a União é proprietária de terras inabitadas, e faz com que nativos habitem em terras altas, se assemelhando aos cabritos e tendo que ter o despautério de subir e descer as mesmas diariamente para trabalhar...Avisei a nossa côrte que ficasse atenta pois não era um turismo como ir aos picos e aos Alpes, era uma obrigação diária de pessoas nascidas nesta terra, mas que não tinham outra opção.
Sr. Pero Vaz de Caminha, porque aceitou me conceder esta entrevista exclusiva¿
 Primeiro,quero agradecer sua coragem, em andar nesta cidade, para me entrevistar, eu, em seu lugar entraria, em uma capsula do tempo de volta ao passado e curtiria o Brasil que não deveria ter acabado.
Mas o que me motivou a lhe conceder esta entrevista foi ter a certeza que ela estaria guardada para a eternidade como a carta que escrevi há 500 anos e a mesma poderia um dia motivar toda uma nação a fazer do Brasil, um país melhor.
                                                                                               

·        Entrevista inspirada no texto de  Carlos Henrique de Paula ( Carta a Família Real em Portugal) extraído do livro “ Brasil , mais que um país uma inspiração” organizado por
·        Izabelle Valladares, com capa de Rodrigo Esch, lançado nas feira de Guadalajara e na Jornada cultural da ARTPOP de 2010”




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Um comentário:

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