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O Núcleo Acadêmico de Letras e Artes, a Universidade Nacional de La Matanza e a Fundação Casa de Jorge Amado em Buenos Aires , celebram o Brasil no mês de Setembro!

A Literarte com muita honra informa que estará em Buenos Aires para a continuação do Intercâmbio Cultural Brasil Argentina que terá início dia 30 de setembro no Brasil, no Museu Jose De Dome(Charitas) , àqueles que não poderão ir neste evento de Buenos Aires e foram indicados, poderão participar do próximo que acontecerá na cidade de Rosário, em Novembro, sob organização da ALG - Academia de Letras e Artes de Goiás, da ABRAMES ( Academia Brasileira de Médicos Escritores) da Literarte e da Poeta Rachel Levkovits, os eventos que marcarão estes 3 meses, terão sua  abertura com a  exposição artística em que participarão os seguintes artistas: 
Argentinos 
Nené Campos
Gabriela Casanova
Ana Cavano
Leo Aragona
Gabriela Martinez Morales
Daniel Pancu Ledesma
Maria del Valle Dellacasagrande
Jose Espinosa
Brasileiros 
Silvana Borges
Beatriz Mignone 
Geraldo Bossini (Fotografia)
André Barcelos (Fotografia) 
Nequitz
Taís Monteiro
João Pacheco
João Afonso 
Janes Barwinski 
Celebraremos o sucesso da exposição no Restaurante Forneria Coccinare ,onde também haverá uma noite de autógrafos do Livro Palavras sem Fronteiras  e do Livro As Mulheres que habitam em Mim.
Na ocasião estaremos oferecendo a degustação do vinho argentino Rutini Wines distribuido no Brasil pela Zahil no Rio de janeiro, 
e haverá apresentação de Tango e Bolero com a Cia de dança Rosa Demarchi em um charmoso evento onde você é nosso convidado. 
No dia 13 de Setembro começam as atividades em Buenos Aires , com a abertura da exposiçãoartística na Universidade nacional de Matanza, e um bate-papo com autores no auditório da Universidade Nacional de Matanza. 
No dia 14 de setembro teremos a posse acadêmica do Núcleo onde serão empossados Argentinos efetivos e brasileiros Correspondentes.
Presidente do Núcleo: 
Maria Delvalle Dellacasagrande - Artista Plástica, conselheira da Literarte
Vice-Presidente: Gabriela Casanova - Artista Plástica
 
Homenageados e Futuros Membros: 
Julio Croci - Director General de Colectividades Subsecretaría de Derechos Humanos y Pluralismo Cultural Jefatura de Gabinete de Ministros Gobierno de la Ciudad de la Buenos Aires

Lic. Ines Noguera
Coordinadora Pedagógica de Idiomas
Instituto de Capacitación Continua 
Secretaria de Extensión Universitaria
Universidad Nacional de La Matanza
UNLaM
Izabelle Valladares - Escritora Presidente da Literarte
 
Estamos aguardando as fotografias dos artistas argentinos e brasileiros: 
Carlos Alberto Lima Coelho
Fabiano Salim
Maria Neuza
Rômulo Carvalho Neto
Na mesma noite estaremos com uma confraternização em uma das mais famosas casas de Tango daArgentina a Esquina Homero Manzi, http://www.esquinahomeromanzi.com.ar/
No Domingo dia 15 de Setembro estaremos no evento Buenos Aires Celebra Brasil , onde a Literarte estará com um Stand para venda de Livros e doação de livros Infantis, em uma grande Festa como o Brazilian Days em NY, com show de uma das homenageadas a cantora Márcia Freire, ex -vocalista da banda Cheiro de Amor e a Apresentação de nosso amigo Carlos Ernesto Lopes (Carlão) do Programa Raízes. Levarei Livros dos Associados para venda. 
Nosso Intercâmbio volta  a acontecer na Argentina no Mês de Novembro, com o Prêmio Destaque Latino-americano, para os artistas que se destacaram em 2013, evento que acontecerá nas cidades de Rosário e San Lourenzo, com um encontro muito especial de Poetas e Artistas coordenado pela poeta Rachel Levkovits com apoio das Prefeituras de Rosário e San Lorenzo, da mídia Local da ABRAMES - Associação Brasileira de Médicos Escritores , da ALG _ Academia de Letras e Artes de Goiás Velho e da Literarte- Associção Internacional de Escritores e Artistas.
Os interessados em participar deverão entrar em contato pelo email :
acadletraseartesdegoiasv@gmail.com
com Christiane Cavalcanti .

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Regulamento da Antologia Luis Vaz de Camões e Convidados





“Luís Vaz de Camões e Convidados”
“Divulgado e no Brasil e em Portugal”

Regulamento
Prazo para envio dos textos: 20 de setembro de 2013
DA PARTICIPAÇÃO
1.1. A antologia ‘’Camões e convidados’’ é promovida pela Literarte-Associação Internacional de escritores e artistas.
1.2. Poderão participar da antologia todas as pessoas físicas maiores de 18 anos, ou menores com permissão do responsável, residentes legais no Brasil, bem como brasileiros residentes no exterior. Também poderão participar da Antologia escritores de outras nacionalidades, desde que a língua mantida seja a língua portuguesa.
1.3. Das características da antologia: A Antologia “Camões e convidados”  receberá única e exclusivamente contos e poesias, sendo que a criatividade e imaginação do escritor darão o toque e estilo ao trabalho.
1.4. Poderão participar da antologia autores com menos de vinte e um anos,mediante autorização por escrito de um responsável legal, acompanhada de fotocópia do original de documento de identidade do mesmo para 
conferência e registro de inscrição.
1.5. A participação se dará no sistema de cotas, sendo que cada autor deverá proceder ao pagamento  da seguinte forma:
Para Poetas:
  • Para não associados da Literarte: R$150,00  (cento e cinquenta reais) em parcela única,(2 poesias = 4 exemplares) sendo depositado até o dia 10 de outubro de 2013.
  • Para associados Literarte: R$100,00(cem reais) em parcela única, (2 poesias= 4 exemplares )  sendo depositado até o dia 5 de outubro.
Para contistas e cronistas:
  • Para não associados da Literarte: R$150,00  (cento e cinquenta reais) em parcela única ,  por conto  publicado,(1 conto até 2 páginas em tamanho A4 = 4 exemplares) sendo depositado até o dia 10 de outubro.
  • Para associados Literarte: R$100,00(cem reais) em parcela única, por texto publicado (1 conto  até 2 páginas em tamanho A4 = 4 exemplares )  sendo depositado até o dia 10 de outubro.

1.6. A presente antologia será confeccionada pela  Editora Mágico de oz em parceria com a Literarte, o livro será registrado pela Editora Mágico de Oz mas cada autor é responsável por registrar suas obras, a antologia  tem como finalidade estimular a produção de contos, formação e divulgação de novos autores.
2)DA ACEITAÇÃO DOS CONTOS E POESIAS
2.1. Serão aceitos apenas contos e poesias em língua portuguesa, de temática livre, com limite de 2  paginas A4 para contos e poesias, espaços de 1,5 entre linhas, fontes Times New Roman ou arial tamanho 12, acompanhados dos dados de inscrição que constam no parágrafo 5.5 desse regulamento.             Os contos deverão ter até 4.000 caracteres
2.2. Não serão aceitos fanfics nem contos que pertençam ao universo de personagens já existentes criados por outro autor.
2.3. Os contos devidamente formatados deverão ser enviados para  o email atendimento@grupoliterarte.com.br  ou editora@grupoliterarte.com.br
Assunto: Antologia Camões e convidados   junto com os dados de inscrição e demais documentos de autorização.
2.4. Os contos inscritos deverão contemplar, obrigatoriamente, os seguintes elementos:
(a) narrativa em primeira pessoa ou terceira pessoa;
(b) O tratamento dado ao tema será de exclusividade de cada autor.

 2.5. Caso o autor deseje que seu conto tenha mais do que o espaço reservado ele terá a opção de adquirir o valor de duas cotas, assim podendo ampliar seu espaço na antologia. Os procedimentos são os mesmo citados no item 1.5 desse regulamento, caso haja espaço na antologia liberaremos alguns autores que excedam sem custo extra.
3) NÃO SERÃO ACEITOS CONTOS, CRÔNICAS OU POESIAS QUE:

(a) possam causar danos a terceiros, seja através de difamação, injúria ou calúnia, danos materiais e/ou danos morais;
(b) ofendam a liberdade de crença e as religiões;
(c) contenham dados ou informações racistas ou discriminatórias;
(d) tenham a intenção de divulgar produtos ou serviços alheios aos objetivos da antologia ou que tenham qualquer finalidade comercial;
(e) façam propaganda eleitoral ou divulguem opinião favorável ou contrária a partidos ou candidatos;
(f) tenham sido produzidos por terceiros;
(g) que não venham formatados nas normas estabelecidas por esse regulamento e descritas no item 2.1.
4) DOS CONTOS E POESIAS INSCRITOS:
4.1. Os contos inscritos serão analisados e selecionados mediante avaliação do profissional nomeado pela organização da Antologia, cujas decisões serão soberanas e irrecorríveis. A avaliação se dará com base nos seguintes critérios:
(a) criatividade e originalidade do enredo;
(b) adequação do enredo ao universo ficcional do livro
(c) impacto do conto e qualidade dos recursos narrativos utilizados.
4.2. Ao se inscrever na Antologia o autor autoriza automaticamente a veiculação de seu conto, sem ônus para a Editora  nos meios de comunicação existentes ou que possam existir com a intenção de divulgar a antologia.

5) SOBRE AS INSCRIÇÕES:
5.1. As inscrições terminam dia 20 de setembro. As inscrições só poderão ser feitas pelos e-mails acima citados ou pelo site.
OS NOMES DOS SELECIONADOS SERÃO DIVULGADOS NO DIA  23  de setembro por email.
5.2. Inscrições pelo site: o candidato deve preencher todas as informações e colar o texto diretamente no site.
5.3. Um determinado conto poderá ter mais de um autor, num número limite de dois. Um determinado autor poderá participar da antologia com mais de um conto, desde que observado o parágrafo 1.5 e 2.5 desse regulamento.
5.4. Para participar os candidatos deverão, além de enviar um ou mais textos de acordo com as regras estabelecidas neste regulamento, fornecer as informações a seguir:
(a) nome completo do autor do conto e de seu responsável legal(se for menor de idade);
(b) data de nascimento;
(c) número do documento de identidade pessoal e do responsável legal(se for menor de idade);
(d) endereço físico e eletrônico, completo e legível;
(e) telefone fixo e celular;
(f) informação de onde e como ficou sabendo da antologia;
(g) autorização por escrito assinada pelo responsável (se for menor de idade) e fotocópia legível do documento de identidade do mesmo (cópia escaneada e enviada junto com o e-mail);
(h) email
Uma foto
(i) frete de entrega dos livros será por conta do autor.
5.5. Só serão aceitas inscrições através dos procedimentos previstos neste regulamento. Os dados fornecidos pelos participantes, no momento das inscrições, deverão estar corretos, claros e precisos. É de total responsabilidade dos participantes a veracidade dos dados fornecidos à organização da Antologia .
5.6. Em caso de fraude comprovada, o conto será excluído automaticamente da antologia.
5.7. Os participantes concordam em autorizar, pelo tempo que durar a antologia com a editora, que a organização  faça  uso do seu conto, suas imagens, som da voz e nomes em mídias impressas ou eletrônicas para divulgação da Antologia, sem nenhum ônus para os organizadores, e para benefício da maior visibilidade da obra e seu alcance junto ao leitor.

6) OUTRAS INFORMAÇÕES
6.1. Dúvidas relacionadas a esta antologia e seu regulamento poderão ser enviados para o e-mail editora@grupoliterarte.com.br ou pelo telefone 22-2645-2368
6.2. Todas as dúvidas e casos omissos neste regulamento serão analisados por uma comissão composta pela equipe organizadora e sua decisão será irrecorrível.
6.3. Para todos os efeitos legais, os participantes do presente Antologia, declaram ser os legítimos autores dos contos inscritos e garantem o ineditismo dos mesmos, isentando a editora pessoa física  de qualquer reclamação ou demanda que porventura venha a ser apresentada em juízo ou fora dele.
6.4. A literarte, reserva-se o direito de alterar qualquer item desta Antologia, bem como interrompê-la, se necessário for, fazendo a comunicação expressa para os participantes.
6.5. A participação nesta Antologia implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.


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Desnudar-me!

Quero desnudar-me de mim mesma, já pensou? Acordar sendo outra pessoa, mesmo que com problemas diferentes. Retirar de mim um pouco de quem eu sou e colocar mais do que não sou. Não cumprir regras, mas arrastar os móveis para o canto, respirar outros ares, ser mais que eu fui ontem.
Acordar cega e aprender a ver apenas o lado bom das pessoas. Ter a sensibilidade do toque que tantas vezes me desespera; nascer novamente, talvez em outro tempo, um tempo em que os filhos não matavam os pais e em que os pais não matavam os filhos. Libertar-me do cenho franzido que venho trazendo comigo nos últimos anos, diariamente, ao ver o perigo eminente que corre no ar, ao me preocupar diariamente com meus entes e - por que não? - com meus dentes.
Quero voltar a ter faro, isso mesmo, faro. Faro aguçado como os cães que sentem o cheiro do perigo - isso já não tenho mais. Aproximo-me de quem não devo e me afasto de quem eu deveria me agarrar, tudo por conta desse tal de faro.
Aos dezoito queria a maturidade para fazer tudo; hoje posso fazer tudo e queria a inocência dos 18 anos quando não ter medo do perigo, quando a dor nas costas era só um mito, e correr riscos fazia parte da minha jornada diária. O amor também era livre, cheio de tabus que precisavam ser quebrados, mas acabaram banalizados. Hoje ... acabou o mistério, não sei se isso é bom pela liberdade ou se é ruim, pois a mesma liberdade nos acorrenta, nos deprime e faz adoecer a alma.
Desnudar-me dos meus ais! Aliás, são tantos ais que não vale a pena citá-los. Por que esperamos mais das pessoas do que de nós mesmos?
Entregar-me ao vento... isso seria fantástico. Abrir os braços e voar não para a morte que nos sonda dia a dia, mas soltar-me para voar em meio às palavras, aos sentimentos, às lágrimas, aos nãos. Seria tão bom aprender a gritar “não”! Simplesmente “não”!
Queria desnudar-me não de mim mesma, mas de todos os conceitos em que me fizeram acreditar um dia, e desnudar-me das regras de religião, ortografia. Estas me atormentaram a vida inteira e, agora, decidiram renová-la, simplesmente... é isso - talvez este seja o segredo - pode ser que eu queira ser como a nova ortografia: chata... mas igual para todos os povos;  cheia de regras, mas desnuda de fronteiras. É isso! Hoje é dia de quebrar as fronteiras. 


Izabelle Valladares

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A última carta



A última carta

O vento frio do inverno insistia em brincar com as finas cortinas do enorme casarão.
Olhava o longo corredor, e incrivelmente, as tábuas que antes eram carregadas de rangidos, e outrora agüentaram pequenos passinhos, grandes corridas e sempre adornadas com tapetes escorregadios , parecia que como nós, haviam adormecido no tempo.
Olhava e pensava nas duas gerações que passaram por ali.
Ah...Como o tempo é um vilão ingrato e passa por nós rápido demais! Tão rápido que não nos damos conta que não teremos este tempo novamente.
Olho para este corredor, com as cortinas esvoaçantes de véu claro, e lembro-me do dia em que compramos esta casa.
Vejo Arnaldo em minha frente, sentado, calado, nem de longe a sombra daquele homem que um dia entrou comigo nos braços correndo por aquele lugar que ousamos um dia  chamar de nosso lar.
Arnaldo sempre fora um homem forte, papai dizia que eu havia me casado com um búfalo, agüentava carregar toras inteiras de árvores nos braços, e aliás, com sua força levantava  os quatro filhos de uma só vez e essa era uma das brincadeiras que eles mais gostavam, e volta e meia um se machucava. Lembro-me perfeitamente, Arnaldo pegava um pedaço forte de maçaranduba e  os 4 pequenos se penduravam, para que ele roda-se com os quatro  e ver a brincadeira  até que era divertido, quando não aparecia um de cabeça rachada. As risadas ecoavam por toda a chácara.
Arnaldo não tinha muito estudo, estudara somente até aprender a ler para se virar na vida, mas não negava trabalho e ninguém passava a perna nele nas contas, assim , abriu, um armazém, depois outro, depois outro e logo que ficou maior de idade, escolheu a dedo uma moça para se casar. Na verdade, era um dos poucos jovens que aos 25 anos já podia se dar ao luxo de comprar uma casa própria com seu próprio dinheiro em nossa cidade.Aliás, até hoje acho que foi isso que mais atraiu papai na hora em que veio pedir minha mão em casamento,  e certamente o que mais atraiu Arnaldo, era saber que eu era uma professora.
Nos conhecemos na quermesse do dia de Santo Antônio, o padroeiro de nossa cidade,Santo Antônio do Jabatão  e não tinha dia melhor para se arrumar um noivo.
Eu já tinha 17 anos, já tinha me formado  e papai já se preocupava com o tempo que eu ficaria em casa dando despesas. No dia em que nos conhecemos, eu usava um vestido de renda azul, bem bonito, foi amor a primeira vista.
Mas nisso, já se passaram 60 anos, e cá estamos nós dois, um em frente ao outro, entre nós, somente o abismo entre o passado e a lembrança.
As fotografias amareladas nas paredes, mostram entre sorrisos e roupas fora de moda, um tempo que não voltará mais.
Posso afirmar uma coisa, “fomos felizes”, ah...isso fomos, demos aos nossos meninos, tudo o que achávamos que poderíamos dar sem estragá-los, pelo menos achávamos isso né?
Mas a principal exigência da casa, para todos, era o estudo.
“Como nós brigamos com estas crianças para estudarem,não é Arnaldo?”
Em semana de prova, era cada um trancado em um quarto, somente com os cadernos e os livros, a casa, ficava um grande silêncio, lembro uma vez que o mais velho, fugiu para ir no mato ver uma arapuca que havia montado para pegar passarinhos, e quando menos esperava, deu de cara com o pai, que o trouxe pendurado pelas orelhas fazendo pirraça, em dia de prova, não tinha conversa, não tinha moleza, e em nossa casa só aceitávamos as maiores notas. Hoje, nem sei se fizemos o certo.
Todos estudaram muito, para o Arnaldo este era seu maior orgulho, cada um que chegava na universidade, já ganhava logo um automóvel , e quando terminava, uma casa na cidade grande, pois em Santo Antônio do Jabatão não teriam grandes opções na vida.
E para o velho e forte pai, esta era sua grande vitória, 4 filhos, dois meninos e duas meninas, 4 doutores, dois da medicina e dois das leis, a família mais bem falada da cidade, mas, nos demos conta hoje, que na cidade mesmo ,só sobrou os dois velhos, pois os filhos, bateram asas e voaram.
No início, quando o mais velho se mudou era até bom, um foi para a cidade grande, e três ficaram, nos feriados era uma festa, ver os quatro reunidos, depois, foi o segundo, o terceiro, e depois o quarto, as visitas de feriado, começaram a ficar mais raras, viraram visitas de férias, viraram visitas de natais e por fim, veio o tal do celular e nossas visitas foram substituídas por vozes eletrônicas, vindas das grandes capitais.
Como foi difícil para Arnaldo perceber que se acostumaram a ficar longe da gente por tempo demais.
Ensinamos aos meninos a vida inteira a estudarem muito, sem perceber que quem muito estuda também muito trabalha.
Como queria que um deles, viesse em nosso quarto a noite e pedisse um pratinho de mingau de amido de milho , ou desejasse um ovo fritinho com gema mole, de ovo catado no galinheiro.
Os quatro se foram, seguiram seus rumos, se ocuparam demais, seguindo imaginem só... Os nossos conselhos, como puderam um dia achar que sabíamos o que era melhor pra eles?
Arnaldo, imóvel em minha frente, parece sorrir da nossa grande ignorância em achar que a vida se resumia somente em estudos e trabalho.
Engraçado é perceber que seguiram todos os  meus conselhos a risca.
Eu na verdade sempre fui dominadora e tagarela.
_” Não  tenham filhos cedo!”
_ “Vocês serão doutores”
_ “Não casem com estas roceiras daqui!”  Eu aconselhava do alto pódio da minha ignorância, sem saber que assim cortava suas raízes.
Depois, seguindo os próprios extintos de falta de tempo, decidiram simplesmente não serem pais.
As meninas, quando o relógio biológico batia, estavam no exterior fazendo pós- graduação, quando perceberam já era tarde demais.
Os meninos, achando sempre, que um filho atrapalharia a vida, pois, não teriam tempo para educar, para brincar de roda, para ensinar o dever de casa, então é melhor deixar tudo como está.
Pergunto a Arnaldo:
_ Será que fomos tão maus assim?
_ Será que não aprendemos nada da vida?
A casa grande que um dia acolheria os netos nas tardes ensolaradas das férias de verão, não teve suas paredes sujas de lama e de marcas de mãos, ou de grandes sóis rabiscados de caneta.
Hoje, se eu pudesse, ensinaria tudo diferente.
A Laurinha, que gostava tanto de cozinhar e inventar biscoitinhos na cozinha, talvez tivesse sido uma mãe melhor que eu, com mais tempo e paciência para brincadeiras e talvez não tivesse feito como eu fiz, alfabetizando-a aos 4 anos de idade, quando deveria estar se preocupando somente em fazer bonecos de lama. Chegava a dormir com o lápis na mão.
É mas hoje não adianta mais se lamentar....
Arnaldo em seu silêncio parece concordar.
Hoje, nossos filhos, são doutores, criados , independentes. “Ah ,como eu queria que dependessem um pouco apenas de nós, que lembrassem que fui eu quem ensinei um a um a escovar os dentes, de cima para baixo, de cima para baixo, come de boca fechada menino...Olha os modos!”
Ah, quem me dera! Pelo menos não estaríamos aqui né,  Arnaldo? , frente a frente com nossa realidade sem ter mais o que mudar.
Minhas mãos trêmulas, escrevem estas humildes, mas últimas linhas, que consigo escrever com a pouca força que resta em minhas mãos, pois minhas pernas, já não me obedecem a dias.
A empregada que cuidava de nós,  arrumou emprego melhor, cuidar de dois velhos, deve ser mesmo algo muito chato, Deus me live, mas a danada  prometeu dar uma ligada para nossos filhos arrumarem uma outra, tão logo lhes sobrasse algum tempo.
Olho a nossa volta, e me sinto parte da casa, como a mobília, inerte, simplesmente guardando o pó.
Arnaldo, coitado,  jaz aqui em minha frente em sua velha cadeira de Jacarandá, sem vida há alguns dias, e eu despeço-me aqui, esperando o ingrato tempo, que desta vez passa devagar, ao me ver contemplar o tempo da morte chegar.

Com tempo infelizmente  e amor...
Laura!
..............
Após  8 dias, os filhos encontraram os pais, já mortos e seu Arnaldo em adiantado estado de decomposição e lamentaram o tempo de espera para a chegada do rabecão! 

 Izabelle Valladares

Texto Publicado no Livro Palavras sem Fronteiras


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