A rainha que reinou por menos tempo na História... Lady Jane Gray - Uma história de amor, protestantismo e ambição!

Essa semana, em uma das proveitosas insônias cinematográficas, assisti ao Filme que contava a história de lady jane, o que aguçou a minha curiosidade para conhecer a história real deste personagem da realeza britânica. 
No filme nos apaixonamos pelo casal jovem que tinha tudo para ser feliz e voar e no entanto acabam mortos pela realeza Britânica. 





Em 1553, uma rainha reinou por apenas 9 dias, vítima da cobiça e dos sonhos de uma Inglaterra justa com os humildes, seus dias foram de ajuda aos pobres e de sonhos. 

Nascida em 1537, com apenas 16 anos, já era casada quando subiu ao Trono, era a filha mais velha do Duque de Suffolk e da ambiciosa Lady Frances Brandon, que era uma legítima Tudor, sobrinha do rei Henrique VIII, e prima de Eduardo VI que era o príncipe reinante, mas acometido de uma doença fatal, viu-s e pressionado pelos conselheiros a passar o trono para a Prima Jane, visto que suas irmãs brigariam pelo trono, incentivado pelo então sogro de Jane, Eduardo no leito de Morte assinou o documento que passava o Trono para Jane. 
Bonita, jovem, inteligente, cheia de personalidade educada pela nobreza, falava diversos idiomas e abominava o Catolicismo, principal motivo de interesse, dos conselheiros protestantes em mantê-la no poder e instalar de vez o Anglicanismo na Inglaterra. 
Eduardo VI tinha nove anos de idade quando subiu ao trono, tornando-se o primeiro rei protestante da Inglaterra. Possuía uma saúde muito frágil, e devido à sua juventude, foi nomeado um Conselho de Tutores com 16 membros para assegurarem a regência até à sua maioridade, embora o governo estivesse efectivamente nas mãos do Lord Protector do Reino, o seu tio materno Edward Seymour, conde de Hertford, que ainda intentou casá-lo com Lady Jane, mas sem sucesso.


Em 1549, o duque de Northumberland, John Dudley, apoderou-se do poder, fez decapitar o conde de Hertford, por traição em 1552, e em 1553, estando já o rei muito doente, arranjou o casamento de Jane Grey, então com quinze anos, com o seu quarto filho, Guilford, a fim de evitar que Maria Tudor, a segunda na linha de sucessão, filha de Catarina de Aragão e uma católica militante, subisse ao trono, e preparar assim a sua própria linha dinástica.
Embora bastante contrariada, a jovem foi obrigada a contrair este matrimónio, pois seus pais estavam completamente de acordo com o duque. John Dudley, conseguiu que o rei já moribundo alterasse a ordem de sucessão à Coroa, reconhecendo Jane como sua herdeira presuntiva. 

Jane e o marido se isolaram por um periodo pós casamento em um dos chateaus de verão, e lá se apaixonaram um pelo outro e tornaram-se grandes amigos e fiéis a convicção um do outro. 

Morto Eduardo VI, o duque manteve por alguns dias em segredo a sua morte, a fim de preparar a subida da nora ao trono, e prender Maria Tudor, que se refugiou no Castelo de Framlingham, em Suffolk, onde reuniu um exército. A 10 de Julho de 1553, Jane Grey foi declarada rainha de Inglaterra, mas o povo queria Maria, que fez a sua entrada triunfal no dia 19 do mesmo mês.

O Parlamento inglês declarou-a então Rainha de Inglaterra e revogou a coroação de Jane, que abdicou de muito bom grado. O trono nunca tinha sido a sua pretensão, pediu apenas que a deixassem voltar para casa, mas tanto ela como o seu marido, foram presos e encarcerados na Torre de Londres, sob a acusação de traição e John Dudley foi decapitado.

A nova rainha parecia no entanto disposta a perdoar a prima, consciente da sua inocência, mas em 1554, o anúncio do seu casamento com o católico Filipe de Espanha, fez reavivar novamente o conflito religioso latente entre católicos e protestantes originando uma rebelião liderada por Thomas Wyatt e na qual se juntaram vários nobres entre eles o pai e irmãos de Jane, pedindo a restauração desta como rainha. Embora nada tivesse a ver com esta revolta, foi condenada à morte, juntamente com o marido.

No dia 12 de Fevereiro de 1554, teve lugar a execução pública de Lord Guilford Dudley,que tinha apenas 19 anos de idade e horas depois, em privado, a ex-rainha Jane era decapitada no interior da Torre de Londres. A execução privada foi um gesto de respeito de Maria para com a sua jovem prima. Tinha apenas 16 anos.
Está sepultada com o seu marido na Capela Real de St. Peter ad Vincula, na Torre de Londres, junto das rainhas Ana Bolena e Katherine Howard. A pedra tumular que ali se encontra, apenas lá foi colocada em 1870.
Há no entanto quem defenda, que como esta capela tinha sido novamente devolvida à Igreja Católica e o enterro de hereges no seu solo era expressamente proibida, (a rainha e o marido eram calvinistas), muito possivelmente ambos foram sepultados com Lord Grey, na Igreja da Holy Trinity Minorities, situada perto da Torre.
Em 1833, o francês Paul Delaroche pintou um quadro de grandes dimensões, intitulado “A execução de Lady Jane Grey”, que alcançou um sucesso tremendo, a quando da sua apresentação no Salão de Paris, em 1834, embora grande parte dos detalhes seja apenas imaginação do pintor.






Pormenor do quadro de Delaroche
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