Galgando muitos Degraus - Minha arrebatadora estreia como escritora!





Nada em minha vida foi fácil, já nasci com o dedo direito colado por uma fina pele na orelha, dando a ideia de que estava fazendo charme, mas isso foi só uma amostra que a vida não seria fácil. Tudo em minha vida aconteceu precocemente, casei aos 19 anos, fiquei grávida aos 20 e viúva aos 21 anos, e ser mãe e pai nos dias de hoje, apesar de normal, é muito complicado.
Sou uma mulher empreendedora de nascimento, mas já errei muitas vezes tentando acertar, já tive Academia de Ginástica, restaurante, PUB, Boate Teen, até que fui parar em uma Lanchonete, do tipo franquiada, em uma cidade do interior onde 5 h da manhã saía de casa para trabalhar, como em muitas cidades do interior, esse horário não tinha ônibus, e gastar combustível naquela altura da vida, estava fora de cogitação,  o que me rendia longas caminhadas, na maioria das vezes sem a companhia segura do Sol, enfim, em uma dessas madrugadas indo ao trabalho, presenciei uma cena de violência, onde por ciúmes, uma pessoa desequilibrada atirou em três homens na saída de um bar, e uma cena dessas pode mudar a visão de vida de qualquer ser humano, e foi o que aconteceu comigo. Após assistir aterrorizada, pensei apenas em minhas filhas, que estavam em casa sozinhas e um tiro daqueles poderia sobrar para mim, e voltei todo o percurso trêmula pelo susto e refletindo se estar atrás de um balcão de lanchonete, para ganhar pouco mais de quatro salários mínimos por mês, pois essa era a média do que sobrava, era indispensável em minha vida e daquele dia em diante, nunca mais voltei a lanchonete, vendi muito mais barato do que comprei e decidi que não queria mais correr aquele tipo de risco. Assim comecei a me aventurar na Literatura.
Decidi que eu tinha um roteiro de vida interessante e que poderia deixar aquela história registrada, e do dia em que comecei a escrever em diante, já me “acreditava” escritora.
Escrevi o livro em cerca de um mês, meu primeiro romance “ A cúpula das vaidades” e consegui um espaço muito bom para o lançamento deste primeiro livro, na Câmara Municipal de Niterói, junto a um outro evento que aconteceria no Local, e que me daria a certeza de público.
Vendi meu velho carro e investi em Livros, isso mesmo, naquele momento meu livro era meu sonho. Não consegui sonhar muito grande, fiz 500 (Quinhentos)  exemplares e cheia de coragem parti para a divulgação.
Redes sociais, Flyers, telefonemas, entrevista na TV, apostei todo o meu tempo nesse lançamento, mas eu tinha uma carta na manga, dois dias antes, era o 7 º aniversário de minha filha Caçula, e seria uma grande oportunidade de cobrar à família a presença neste dia tão importante para mim. E assim foi, convidei 150 pessoas entre familiares e amigos, e foram 400 pessoas, tendo até que pagar multa ao condomínio, mas eu não estava preocupada com a multa, estava feliz, pois se tinham 400 pessoas na festa, no meu lançamento incluindo os convidados do evento cultural, tornariam minha primeira edição esgotada logo no primeiro Ato e na hora do Parabéns, subi em um banco, e fiz o animado convite.
_ Estou reservando um livro para cada um de vocês! Não esqueçam!
E criei o bordão que me acompanha até hoje.
_ Vamos que vamos!

Pois bem, o grande dia chegou, fui de táxi, levando as 5 caixas pesadas de livro, quando vi a escadaria da Câmara, quase enfartei, acima do peso e sem marido, não tinha jeito, teria que carregar aquilo tudo e com medo de roubarem os livros enquanto eu “galgava” meus muitos degraus, pois bem, respirei fundo e encarei a escadaria.

Você foi em meu lançamento? Não? Nem meus 150 convidados e seus 250 amigos convidados, aliás, nem meus irmãos.

Vendi dois livros, um para a minha mãe e um para minha ex-sogra, e garanto, a frase feita, para descer todo Santo ajuda, quando se está carregando os 498 exemplares que sobraram, não parece tão doce.
Quando acabei de descer tudo, minha mãe olhou para mim, e me disse:
_ Acabou essa palhaçada de ser escritora né? Coloque o pé no chão menina.
E eu respondi:
_ Agora está apenas começando!
Na semana seguinte, comprei minha passagem de avião para a feira do Livro de Guadalajara, falando pouco espanhol, decidi que tentaria vender os direitos para alguma editora comercial, o que é quase impossível aqui no Brasil, e eu tinha 498 exemplares para vender. Não é que eu consegui.
Vendi A Cúpula das vaidades, para uma editora Chilena, cedendo todos os direitos de publicação da obra, pela bagatela de três parcelas de três mil reais, e comecei a ver outras alternativas para estar totalmente envolvida com os livros, assim, fui conhecendo amigos virtuais escritores, comprava stand em pequenas feiras, como a Flipoços, criei a Feira do Livro Infantil de Cabo Frio, e cada vez mais acreditava que os Degraus tinham sido uma árdua missão, mas necessários para meu entendimento de que não seria mamão com açúcar.
Hoje já escrevi 18 livros solos, o livro A cúpula das vaidades já vendeu mais de dez mil exemplares, e sou Presidente da Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas, que faz exatamente, o que eu queria que fizessem comigo quando eu comecei: Me divulgar, levar meus livros para o exterior, me fazer estar em todas as feiras literárias importantes, tanto no Brasil, quanto em qualquer lugar do mundo.
Se eu já pensei em desistir? Muitas vezes. Já me frustrei outras vezes? Muitas vezes, mas quando olho para trás só me vejo escritora, quando olho para frente, só me vejo escritora, já vendi mais de 30 mil livros, alguns até por dois reais, pasmem! Estou na Wikipédia e não imaginava que um dia, teria um programa de TV de Turismo, que faria tantas viagens e entenderia o verdadeiro sentido da frase ”Fazer o que se ama”.
Segundo Dante Aleguieri: Quanto maior a sede, maior o prazer em satisfazê-la e eu continuo sedenta. 



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