Nasci sem trajes,
Sem insignias,
Sem palavras,
Sem mágoas ou fardos para arrastar.
Nasci coragem, sonhos,
sem ressentimentos, sem reflexões,
Ao" intento do vento", parafrasendo
o amigo mineiro.
Na certidão...
Escolheram meu sexo,
meu nome, minha cor, meu pai.
Me chamaram assim... e eu atendia.
Aprendi desde cedo onde era o lugar de menina e onde era o de menino, depois tive que aprender  a trocar alguma ordem...
Quando menina me ensinaram que carrinho não era meu brinquedo, panelas e bonecas quanto mais tivesse melhor...
Adulta me ensinaram o contrário, invista nos carrinhos e esqueça as bonecas e as panelas.
Me ensinaram a ter voz,
mas, me pediram pra conter a mesma...
Me ensinaram que certos comportamentos precisam ser segredo.
E Nasci de novo...
Aprendi que minha força não vem do meu berço,
Não vem do meu sangue,
Não está ali toda vez que eu preciso,
E nem é tão forte que não ceda.
Aprendi que tenho medo de mais coisas hoje do que quando era criança, em uma ordem inversa de tantos valores que aprendi,
Não havia como ser diferente.
Aprendi que conviver com o "nós" é mais fácil que conviver com o "sós", mas que entre o "sós" há tantos nós que as vezes é mais fácil ir brincar de outra coisa.
A vida ensina que acordar é magia.Querendo ou não é batalha nova. Se não matou o leão de ontem... Hoje vai ter que matar dois de uma vez.
Que pra te usar não falta freguês,
mas, que pra amar tem que ser um de cada vez.
O dia recomeça com sua fúria disfarçada de doçura, como a vida recomeça todo dia para quem nasce e fecha as cortinas para quem parte.
Nasci hoje.
Nasci ontem.
Vou nascer amanhã.
Ou não ? Quem sabe?
O segredo da vida .... é renascer todo dia!
Bom dia!
Izabelle Valladares

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Desvenda-me (Texto para o Livro " Luis Vaz de Camões e Convidados" que será Lançado pela Editora Mágico de Oz no 4°Encontro de Culturas Lusófonas que acontecerá em 14 de maio em Portugal)

"Sou feita da certeza de minhas brevidades,minha pressa.
Não sei ser alegre em doses homeopáticas;
Não sei ser triste pela metade.
Não me encho de coisas pesadas,
Sou abstêmia de todos os excessos,
Menos o de ser feliz.
Não sei andar no lugar comum,
Meu coração gosta das curvas de
Andar a beira do precipício,
Gosta de andar no limite,
De passar  o estreito de sentir os pulmões sugarem o
Ar rarefeito.
Assim ele se sente, preso e livre ao mesmo tempo.
Preso em correntes de devoção, livre para viver o extremo.
Eu só vivo o extremo.
Pouco pra mim é pouco demais,
O médio não me satisfaz,
Ser parcial sempre pareceu louco a meu ver.
Atitudes me prendem para sempre, palavras me seduzem por um tempo
Soam docemente aos ouvidos, mas esvaziam-se com o tempo, as atitudes são eternas.
Gosto de preparar o coração para emoções, para saber aproveitar cada sensação que possa vir com esta.
Já desisti de me entender, e não julgo quem faz o mesmo,
Me entender não é uma questão de inteligência é uma questão de estado de espírito.
Viver comigo é fácil, ou me sente ou não me entende.
Não me permito ser abismo, quem aprende a viver em mim,
Sabe que minha estrada é segura, não sou deserto, não sou tormenta,
Sou o que sobrou de uma alma inquieta.
Sê meu tudo, meu caminho, meu destino,
Que te ensino a percorrer o lado protegido da minha personalidade,
Beijos não fazem parte de nenhum inventário maldito, amor pode não ser eterno,
Mas pode ser terno.
Não me procure onde seria óbvio.
Ali nunca vai me encontrar.
Desvende-me!
Izabelle Valladares

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Pra vó

Vó nem sempre é de sangue. Tem vó que é de vida e vó de vida também molda nosso rosto com seus beijos e acaba nos deixando um pouco parecida com ela, sabemos disso quando alguém diz: Você lembra a sua avó. Eu tive uma avó assim, uma avó que ñ tinha meu sangue,mas, tinha e me enchia de amor. Que com paciência trançava meu cabelo com tanta força que a trança durava três dias e eu era quase uma japonesa preta naqueles dias.Uma avó que me  ensinou que hora de acordar era ás 6 da manhã, que sol ñ gostava de chegar e pegar ninguém dormindo, que molhar o pão no café coado no coador de pano na caneca de ferro esmaltado era a melhor forma de começar o dia. Fui privilegiada em  um dia ter uma avó assim, que mesmo com mais de 20 netos, sabia ser avó pra todos, sabia fazer a melhor galinhada do domingo e não brigava quando entravámos por um lado da casa e saíamos do outro com os pés cheios de lama do enorme quintal de terra vermelha. Que me ensinou a fazer bola de meia. Vou sempre lembrar sempre de todos
os momentos que esteve conosco.
Lembrar de cada detalhe,
da expressão do seu olhar...
Do seu sorriso ... De quando não podia largar a costura, de quando me ensinou a cerzir...palavra que minhas filhas hoje desconhecem.
Do abraço apertado.
Existem situações na nossa vida
que não podemos evitar.
Mas, há pessoas que passam por nossa vida e resolvem ficar, mesmo quando já partiram.

Homenagem a minha avó Joselha, que foi madrasta da minha mãe e foi avó de meio mundo.

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CASAR E MORAR JUNTO ... Grande diferença! (Reflexões)

Casar e morar junto são duas coisas completamente diferentes. Não tem nada a ver com seu status no cartório. Tem a ver com entrega. Você pode casar com todas as honras, dar uma festa linda, gastar os tubos na Lua de Mel, se mudar com o marido para um apartamento lindo, pronto, decorado, cheio de almofadas em cima da cama… Vocês podem ter se casado – mas, vão demorar muito pra saber o que é morar junto. Acho que existem casais que se casam com pompas, e nunca talvez tenham realmente morado juntos. Morar junto é saber dividir,  saber cobrar, saber ceder,  Saber doar.Morar junto é dividir as contas e as almas. Morar junto é ter um pilha de louça pra lavar, depois de um dia terrível de 10 horas de trabalho. E o outro cantar com você para que, em um karaokê com detergente, o trabalho se torne divertido. Morar junto é ter que assistir Homem Aranha no Telecine Action, e se esforçar para achar legal. Morar junto é tomar banho junto.Transformar o chuveiro em uma cachoeira. (e o banheiro em um charco) Morar junto é ouvir onde dói no outro. Do que ele sente medo. Onde ele é criança. O que o deixa frágil. Morar junto é poder chorar sem parar. E ser ouvida. E cuidada. Mas é também rir. E achar graça em alguma coisa, quando o outro está pra baixo. Morar junto é fazer contabilidade de frustrações, e saber quando não colocar na conta do outro. Morar junto é demorar para levantar. Morar junto não precisa de uma casa, e sim de um espaço. Quem mora junto geralmente é solidário. Casar não.Qualquer um casa. Pra casar basta assinatura e champanhe. Casar leva umas horas. Morar junto leva tempo. O tempo todo. Quando moramos juntos vemos o cabelo dele crescer e ela cortar uma franja. Quando moramos juntos viramos adultos aos pouquinhos, dando um adeus doído aos hábitos de pensar só em si e de bater a porta de vez em quando e esquecer das infantilidades carregadas dos adolescentes  que éramos. Quando moramos junto mudamos junto. E o outro vira um outro diferente com os anos. E nós vamos aprendendo a amar aquela nova pessoa, todo dia. Até o dia que, talvez, deixemos de morar juntos.

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