Fragmentos ñ publicados

"E o tilintar das folhas batendo umas nas outras com o roçar do vento, me trazem além de lembranças foscas, lembranças tão brilhantes como um painel neon desses que iluminam os arranha-céus em New York. Vidas e pesssoas que vem e que vão.Pra que tantos planos? Se tudo pode mudar em instantes, por querer ou por engano?  Sorrisos e lágrimas dessa caminhada chamada vida. E o vento me saúda mais uma vez com o tilintar de folhas me acordando pra vida. Não há paz maior que a paz de suas escolhas, mesmo as erradas, são  suas escolhas, precisamos acomodá-las em nosso coração. Não carregá-las como fardos do se não. Acomodá-las, pois são eternamente suas. Algumas que te mudaram pra melhor, algumas que te mostraram o pior que há em você. O amadurecer que te deixa ressabiado. O galo Dhiogo,  canta fora de hora, como assim? Fora de hora? É a hora dele, ele não anda teleguiado por relógios e rotinas, e me olha , pq galo olha fundo, galo olha igual amante, isso é fato, e canta novamente com mais força, deixando em estado de alerta o macaco na goiabeira, que mexe a cabeça para um lado e para o outro, não como quem diz "não" como quem diz:_ Que lsso?
 Observa o vizinho de território, mas, nem tchum pra ele, segue a procura de suas frutas, o ser humano deveria aprender mais com os bichos. A hotweiller gigante, mas ainda bebê, vem esgueirando pela casa , seguida pela pequena Galega, a vira-latinha mais engraçada do mundo, jogo um pedacinho de pão, as duas brigam, a galega com seus dentinhos, gruda na canela da Frida, parecem eu e minha irmã quando éramos pequenas e tudo era motivo para disputas, a Frida ignora, sabe que é mais forte, dá só um chega pra lá e A Galega cai longe, mas, parece rir pra grandona, volta e pega o pão, as baixinhas são mesmo ousadas e brabas.  O macaco encontra mais dois dos seus, parecem conversar, queria estar agora com meus irmãos e poder conversar assim, sentados no galho de uma goiabeira, sem tempo correndo, sem nos preocuparmos que embaixo não tem rede de proteção, sem nos preocuparmos que a fruta não está lavada. É só natureza... é o ritmo verdadeiro da vida. A galinha faz um som que já me é familiar, vem ovo fresco por aí, uma maravilha no pão quentinho com manteiga fresca e café bem quente pra começar o domingo. A grama do quintal começa a pegar, fico feliz, a lama me espanta. Queria meu pai aqui, partiu cedo, iria gostar de cantar e tocar violão nesse espaço. O Rio Nilo, (nomeei ele tbm), ñ é grandioso, mas é presente,  com seu ruído vivo no fundo do quintal me lembra que como a água, a vida flui, encontra seu jeito de passar pelas pedras, de arrastar os cascalhos, de carregar a vida, mesmo quando essa está pesada contra a correnteza. Caminhos e escolhas que nos moldam, nos ensinam. Os macaquinhos vão para as bananeiras, são 5 tipos de bananas e eu achava que só existiam duas, as lembranças da vida me levam ao dia em que na semana do índio , a escola da filha mais velha pediu 3 kgs de banana prata e cheguei em casa deixei as bananas na mesa, saí para dar aula e quando voltei a filha chorava, a banana tinha que ser prata e não amarela, dizia ela, lembrança boa, que aquece coração de mãe a distância, mesmo sendo mãe que deu asas grandiosas, no cantinho do coração existe uma caixinha que guardo todas as lembranças doces e amargas que os filhos deixam. Algumas trancadas a sete chaves, outras, que se embalam soltas como o farfalhar do vento. Um visitante me observa do muro, um gambá dos grandes, deve estar a espreita de ovos frescos e das galinhas coloridas.
_ Sai pra lá amigo, um dia deixo ovos aqui na mesa externa para seu deleite. Por enquanto são meus.
O limoeiro Minguinho está  carregado, me lembra que está na hora de ligar pra mãe, pra sogra, saber como estão, elas adoram esse limão. As maritacas passam batendo o bico e despertando pra hora. Já estou aqui há duas horas, olhando a natureza e a vida em comparação.Escuto o som da louça na Pia, a filha mais nova, já está acordada.  É a grama que nasce, a flor que cai, a pedra que firma o muro natural, o sol que esquenta a pele e o café que esquenta a alma que já sente saudades do amor que saiu há poucas horas, despertando a cama fria de sua ausência, amor que vai, mas, volta, pra meu deleite de amar intensamente estar viva.

(FRAGMENTO DE UM LIVRO AINDA Ñ ESCRITO) IZABELLE VALLADARES MATTOS



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